A displicência dos poderosos

Ouvir aqui a fantástica crónica de Fernando Alves, Os microfones indiscretos, sobre a reunião de ontem do eurogrupo, em Buxelas.

Um excerto (com sublinhado meu):
(..) O que nos foi revelado (e remetido para as calendas gregas) não supõe uma diligência escondida, contrariando o discurso público da arrogância austera. Nem escancara uma subserviência. O que os microfones indiscretos revelam é que Gaspar foi apaparicado por Schauble. Recebeu um mimo, concedido com aquela displicência dos poderosos ou dos pais severos quando um filho se porta bem. Os microfones não revelam o precioso antes, não explicam se aquela disponibilidade responde a um bilhete, a uma sms pedindo socorro, se aquele "nós estaremos preparados" de Schauble responde a um "estamos aflitos" de Gaspar (...).

Kate Winslet- real shape

2011 European and Portuguese Best Small Hotel

Parabéns ao Bairro Alto Hotel que ganhou o prémio de Best Small Hotel em Portugal e Best Small Hotel na Europa, na cerimónia do International Hotel Awards 2011, que decorreu no passado mês de Janeiro, no Hotel Savoy em Londres.

Please, please, please, let me get what I want


O original

Márcia com JP Simões - A Pele que há em mim

Desemprego na UE e em Portugal

A destruturação social é uma bomba relógio para os Estados. O desemprego é a principal causa dessa desagregação, na medida em que é responsável pelo acantonamento e marginalização das pessoas directamente afectadas. Mas é igualmente um problema e uma preocupação daqueles que, conjunturalmente, mantém o emprego, e que têm nesta situação uma responsabilidade colectiva acrescida.

Segundo dados do Eurostat revelados em 31 de Janeiro último, Portugal chegou ao fim de 2011 com uma taxa de desemprego oficial de 13.6%, o que constitui um novo recorde desde que há registos.




Fonte: www.dinheirovivo.pt





O profecia da esquerda marxista autonomista

(...) Há uma ordem financeira que movimenta muitas vezes mais capital que aquele que corresponde à produção de bens e serviços. Neste quadro, o keynesianismo já não funciona, não pode funcionar a nível nacional, e a nível global não tem interlocutores como os sindicatos. Tudo aquilo que representava a velha lógica fordista da produção não pode existir numa relação globalizada. Qual é a regra pela qual o capitalismo financeiro deseja desenvolver-se? Vivemos o risco de ver desencadear uma guerra. Nestas condições, em que não há uma saída objectiva para a crise, a guerra tornou-se uma possibilidade.

Ler aqui entrevista completa de Antonio Negri.

O Estado Social de um conservador católico

(...) Eu por mim não estou de acordo com o fim do Estado Social. Acho que é errado acabar com o Estado Social (...) Acho que é errado pelo seguinte: o Estado Social é uma principiologia, não é uma obrigação que o Estado asssume. O Estado assume a obrigação de ir em certo sentido, na medida das suas capacidades; agora quando abandona o Estado Social deita a esperança do futuro pela janela (...)

Ver aqui toda a entrevista de Adriano Moreira.

Beach House - 10 Mile Stereo

Momentos de fé - Livraria dominicana da Selexyz

Transformação de uma antiga igreja dominicana em livraria, na cidade de Maastricht na Holanda. Proposta pelo The Guardian para a livraria mais bonita do Mundo. A "nossa" Lello, no Porto, está em terceiro lugar.


by Roos Aldershoff


O Preço da Democracia na Europa

Parece cada vez mais consensual que a crise da dívida dos estados periféricos do Euro não é resolúvel através de mecanismos de austeridade. O "crescimento" está de volta ao discurso económico e à dialéctica política europeia.

Infelizmente que para Portugal, Grécia e provavelmente Irlanda, esta mudança de abordagem chega tarde. O caminho foi definido pelas "troikas" e está a ser trilhado pelos respectivos governos, com maior ou menor afinco, consoante a agenda política. Em Portugal o governo esmera-se pelo rigoroso cumprimento do acordo de assistência financeira. A recessão instalou-se e o crescimento, na prática, não faz parte da equação.

Segundo muitos economistas, a restruturação da dívida portuguesa ou um novo "resgate" financeiro são cenários prováveis. Ontem em Davos, Kenneth Rogoff, economista da Universidade de Harvard e estudioso das crises financeiras, dá como certa a necessidade de restruturação das dívidas grega e portuguesa e, como prováveis, a irlandesa e espanhola.

Adverte porém para a impossibilidade política dos ajustes necessários poderem ser executados em democracia. Em entrevista ao WSJ diz Rogoff: You can’t just ask the peripheral countries to just suck it up and then pay because they are being asked to do things politically that have just never been done,” he said. “We looked at the case of Romania, where [former dictator Nicolae] Ceausescu became fixated on repaying the debt. They did it, but no one could have heat during the winter. The people were miserable. It’s simply not sustainable in a democracy.

Não vale a pena iludir. Vai ser necessário mais dinheiro e mais ajuda dos nossos parceiros da UE e do FMI.

O Presidente

Não consigo perceber a surpresa, o espanto e a indignação de tantos. Não foi por acaso que, à alguns anos, atulhou a boca com bolo-rei. Sabe que o silêncio é de ouro, mas resolveu falar num momento mau.

Presumo que não queria dizer aquilo. Que não foi a intenção. Que se expressou mal. Mas a insistência do "não sei se ouviu bem, 1.300 euros por mês", perdurará como a insensibilidade do privilégio. Um ressabiamento perturbante.

A minha geração

"A minha geração, já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou
ou então morreu: já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.

A minha geração, só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de morte, de miséria, de mentiras,
de reflexos da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso.
E um belo dia fez-se à vida,
na cegueira do comércio

A minha geração é toda a minha solidão, é flor da ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão. (...)"
JP Simões (extrato do Retrato)




 

O início da espiral


O corte efectuado na passada sexta-feira pela Standard & Poor’s no rating de nove dos 17 paises do euro, teve repercussões imediatas no mercado da dívida, atirando o prémio de risco da dívida portuguesa relativamente à alemã para o máximo histórico. Trocando por miúdos: o seguro que os investidores exigem para comprar dívida portuguesa e cada vez maior.

Wolfgang Munchau, cronista do Financial Times interpreta a "crise do euro" desta forma: (...) A zona euro caiu numa espiral de desclassificações, quebra de produção económica, aumento da dívida e mais desclassificações. A recessão está no início. A Grécia está agora incapaz de cumprir a maior parte dos seus compromissos e pode ter de deixar a zona euro. Quando isso acontecer, as atenções vão voltar-se imediatamente para Portugal e vai começar o próximo ciclo de desclassificações. (...)
(...) Nem mesmo as reformas económicas, apesar de necessárias por outras razões, conseguem resolver este problema. Esta é outra das ilusões europeias. Chegámos a um ponto em que uma resolução eficaz da crise exigiria uma forte autoridade económica central, com o poder de cobrar impostos e alocar receitas em toda a zona euro. Mas não é isso que vai acontecer, claro.
Esta é a principal implicação das descidas de notação da semana passada. Estamos para além do ponto onde uma solução técnica funcionaria. As ferramentas estão esgotadas.

Wolfgang Münchau in Financial Times (Fonte: http://www.presseurop.eu/pt/)


A "solução" baseada em fundos de resgate associados a mecanismos de austeridade, acabou. Aguarda-se uma nova receita; um novo paradigma. E Portugal vai estar na linha da frente.

Fonte: New York Times, 13-01-2012