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Amor verdadeiro

Agora em discurso directo, obrigada, meu amor, parabéns, prometo plantar macieiras no dia seguinte ao dia pior da minha vida e não te esqueças disto, que um dia escrevi num sítio esquecido: "Aprendi a sabedoria de dizer esta sou eu, sem medo, e queria que soubesses e sentisses que sou tão feliz na nossa ansiedade partilhada como o era após o jantar sentada no teu colo com a tua gravata gravada na minha face. Não há tempos díspares, portanto, entre nós, como um dia escreveram; há antes uma intensa proximidade, calhando apenas que eu falo mais porque conto com a tua prudência e porque sinto que te faz bem o choque emocional feito em verbo. (...)
(...) Não trocava a minha ansiedade e a dor dela pela calma feliz que tem o preço da não-reflexão. O mesmo é dizer que gosto de ti sempre pronto a explodir".

Excerto da carta de Isabel Moreira nos 90 anos de Adriano Moreira. Publicada no Público, 6 de Setembro de 2012.

O Estado Social de um conservador católico

(...) Eu por mim não estou de acordo com o fim do Estado Social. Acho que é errado acabar com o Estado Social (...) Acho que é errado pelo seguinte: o Estado Social é uma principiologia, não é uma obrigação que o Estado asssume. O Estado assume a obrigação de ir em certo sentido, na medida das suas capacidades; agora quando abandona o Estado Social deita a esperança do futuro pela janela (...)

Ver aqui toda a entrevista de Adriano Moreira.

O directório

Não gosto da figura de Salazar, nem do séquito político que o apoiou, nem dos industriais e banqueiros que comeram na manjedoura da ditadura. Mas gosto de Adriano Moreira, Ministro do Ultramar durante o Estado Novo, independente. Aprecio a lucidez do seu pensamento acerca da ciência política e das relações internacionais, mas interessa-me particularmente a memória que guarda da "história das nações". Em Julho deste ano pude ouvir a entrevista que deu a Maria Flor Pedroso na Antena 1, de onde destaco a seguinte reflexão:

(...) Há coisas que é melhor não dizer porque sempre lembram. Há um problema com a Europa. A Europa foi muitas vezes desafiada pela ideia do directório. (…) Cada vez que houve directório, rompeu a paz na Europa, e portanto nós temos de estar muito atentos à tentação do directório. Porque, voltaria a lembrar-lhe: por duas vezes nós tivemos duas guerras praticamente na mesma geração, a que chamámos mundiais. Elas só foram mundiais pelos efeitos, porque foram os demónios interiores europeus que fizeram a guerra. Quando os americanos vieram ajudar a Europa, não vieram contra ninguém que tivesse invadido a Europa. Eles vieram contra os demónios interiores europeus. E os demónios interiores europeus apresentam-se sempre que a ideia de directório ressurge. (...)


Nestes dias da crise grega o directório franco-alemão parece ter-se consolidado. Após uma tentativa falhada por parte da Comissão Europeia em arranjar um espaço de actuação mais representativo das nações, é objectivamente o directório que “regula” a Europa. Prenúncio de tempos que queríamos esquecidos.